Acolher e ser acolhido

Acolher é um compromisso imprescindível aos anseios dos cidadãos em situação de vulnerabilidade que carecem do atendimento da Defensoria Pública. Diariamente, como defensores públicos, acolhemos pessoas, procurando atendê-las e escutá-las de forma ética, demonstrando empatia, ouvindo suas pretensões resistidas e que afetam suas vidas; para então buscarmos uma solução para cada conflito e a pacificação social.

Não obstante, o contínuo contato com esta parcela da realidade social pode gerar um desgaste emocional, considerando que de certa forma levamos sobre nossos ombros boa parte das dores dos nossos assistidos, que deve, portanto, ser percebida, compreendida e trabalhada pela administração pública. Caso contrário, com o tempo isto poderá repercutir negativamente no múnus diário do defensor e nos demais servidores públicos.

Desta forma, assim como acolhemos, precisamos também do acolhimento institucional. Devemos também ser ouvidos empaticamente sobre nossas dificuldades estruturais e angústias diárias. O gestor experiente e humano certamente saberá acolher e encaminhar os infortúnios que nos afligem, solucionando-os ou mitigando-os. Isto oportuniza o crescimento do sentimento de pertença, motivando a todos e reafirmando nossos objetivos, tornando-nos mais criativos e produtivos para a instituição e para a sociedade.

A potencialização e o crescimento da autoestima são notáveis quando nos sentimos pertencentes, respeitados e aceitos incondicionadamente como seres humanos e partícipes da construção de uma sociedade mais justa e solidária. O resultado será o incentivo, a potencialização e o incremento da competência social para melhor lidar com as situações difíceis, através de reações mais flexíveis, acolhendo melhor as pessoas – nossos pares e assistidos -, favorecendo a realização profissional e uma melhor qualidade no atendimento ao cidadão.

Enfim, o acolhimento vertical favorecerá o acolhimento horizontal propiciando o crescimento da sociedade como um todo.
 

Maria de Paula Carvalho Brasil – Defensora Pública da 2ª Vara de Família de Fortaleza

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2011/09/09/noticiaopiniaojornal,2295374/acolher-e-ser-acolhido.shtml
 

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