Representantes do Ministério Público Estadual, da Polícia Militar, da Defensoria Pública e de diversos órgãos da Prefeitura de Fortaleza tiveram uma reunião, na tarde de ontem, para definir o que será feito com o terreno ocupado no Passaré desde o último dia 15. A idéia é tentar uma saída negociada, mas já na noite de ontem a ocupação foi ampliada com cerca de 200 novos ocupantes, de acordo com moradores que vivem no entorno.

De acordo com o chefe da Guarda Municipal de Fortaleza, Arimá Rocha, já foi constatado que aquela é uma área verde e que, portanto, não pode ser objeto de ocupação, menos ainda tratando-se de uma ocupação irregular.

“Ficou decidido que a Defensoria Pública e a Defesa Civil fariam uma visita ao local logo após a reunião para negociar uma saída pacífica. Mas caso isso não aconteça, vamos montar uma operação de retirada envolvendo a Guarda Municipal, a Regional VI e a Polícia Militar, com o acompanhamento do Ministério Público’’, afirmou sem, no entanto, definir prazos para as ações.

O defensor público do Núcleo de Ações Coletivas (NAC), Thiago Tozzi, disse que o primeiro contato com os ocupantes foi tranqüilo, mas que estes esperam ser ouvidos pelo poder público com relação a seus problemas de falta de moradia. Uma nova reunião foi marcada para as 14 horas de hoje, na sede da Defensoria Pública.

Na noite de ontem, moradores que vivem próximo ao terreno informaram que, logo após a reunião com o defensor público, a líder da ocupação Erenir França de Castro dirigiu-se até a comunidade da Rosalina. Pouco depois, ela voltou acompanhada por cerca de 200 pessoas munidas com pás, enxadas e facões para ocupar a área por atrás da ocupação já existente.

‘‘Estamos muito assustados, acionamos a Polícia Militar mas tudo que eles fazem é passar com a viatura. A nossa vida virou um inferno’’, desabafou uma moradora que preferiu não ter o nome divulgado por conta das ameaças que vem sofrendo desde o início da ocupação do terreno.

Insegurança

O Diário de Nordeste acompanha, desde domingo, a situação do terreno ocupado por cerca de três mil pessoas no Passaré. As pessoas que moram no entorno relatam que a ocupação foi feita de modo repentino ao longo de uma área de três hectares, surpreendendo a todos. Desde o último sábado, os sem-teto vem demarcando seus respectivos lotes com estacas e fitas, formando cercas improvisadas. Os moradores também dizem ser alvo constante de ameaças por parte das pessoas que estão na ocupação.

Na segunda-feira, técnicos da Célula do Controle Ambiental Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) estiveram no local para determinar se aquela era uma área verde ou de preservação ambiental. De acordo com a líder da ocupação, eles só sairão se o Município garantir moradia para todos.

Compartilhe