Alexandrino2O defensor público Antônio Alexandrino Reis Neto divide conosco sua experiência na 2ª Defensoria Pública da Comarca de Cascavel onde são atendidas, diariamente, cerca de dez a 12 pessoas. “Em Cascavel, hodiernamente, existe uma demanda bastante forte de ações contra o Estado e o Município para fornecimento de medicamentos, reservas de leitos e realização de procedimentos cirúrgicos, além das demandas relacionadas a consumidor, mormente as atinentes a ações declaratórias de inexistência de débito com danos morais, geralmente”, conta.

Adpec – Há quanto tempo o senhor atua na Defensoria Pública?

Alexandrino Reis – Atuo desde 13 de abril de 2010, tendo como primeiro órgão de atuação a 2ª Defensoria de Morada Nova

Adpec – Como é o seu dia a dia de trabalho na Comarca de Cascavel?

Alexandrino Reis – Atualmente, estou designado para atuar na 2ª Defensoria Pública da Comarca de Cascavel. Chego por volta de 07h40, organizo meus materiais para os trabalhos do dia, imprimo algo que tenha trazido para casa durante a noite, antes de começar os atendimentos aos assistidos, os quais se iniciam por volta de 08h20.

Adpec – Quais as principais demandas do público alvo (casos mais frequentes no atendimento)?

Alexandrino Reis – Os casos mais frequentes são aqueles atinentes ao Direito de Família, ligados a divórcios, alimentos, curatelas, além de processos criminais (atendendo aos familiares dos réus presos, ou os réus quando estes estão soltos). Em Cascavel, hodiernamente, existe uma demanda bastante forte de ações contra o Estado e o Município para fornecimento de medicamentos, reservas de leitos e realização de procedimentos cirúrgicos, além das demandas relacionadas a consumidor, mormente as atinentes a ações declaratórias de inexistência de débito com danos morais, geralmente.

Adpec – Quantos atendimentos (jurídicos ou mediações) são realizados, em média, no seu núcleo, por dia?

Contando atendimentos e mediações, somente na 2ª Defensoria da Comarca de Cascavel são realizados uns dez a 12, diariamente, além de assistidos que não estejam agendados, e que apareçam com casos de urgência. Tais agendamentos são marcados nessa quantidade, tendo em vista as audiências judiciais, que são realizadas quase que todos os dias da semana, em número de três a quatro, primando pela qualidade no atendimento do assistido, conferindo a atenção que ele de mim merece.

Adpec – Quais os maiores desafios na careira de Defensor Público, sobretudo no seu núcleo de atuação?

Alexandrino Reis – Os maiores desafios dizem respeito principalmente à luta incessante para melhor tutelar o direito daquele desprovido de recursos financeiros que nos procura, muitas vezes tendo que agir rápido e de forma contundente contra Entes Federativos, empresas de grande porte, agentes públicos, no afã e sentido de bem representar os interesses de quem nos procura.

Adpec – E as maiores conquistas/realizações para o senhor?

Alexandrino Reis – As maiores conquistas são representadas pelos retornos dos assistidos, que por vezes vem nos agradecer pelos resultados obtidos, e esse reconhecimento não tem preço, é gratificante demais.

Adpec – Como avalia o recente reconhecimento da autonomia plena da Instituição no Ceará? Haverá impactos na carreira e no atendimento ao público?

A autonomia obtida pela Defensoria Pública, para além de um direito constitucionalmente tutelado, vai permitir que o Defensor Público seja cada vez mais valorizado, permitindo que os colegas se possam fixar na Carreira, devendo, cremos, passar pelo incremento na estrutura conferida a cada órgão de atuação a Defensoria Pública, possibilitando um melhor atendimento à nossa razão primeira e última de existência, qual seja, o assistido. Acreditamos que a autonomia conquistada pela Defensoria Pública deverá proporcionar ganhos à sociedade, principalmente às pessoas mais humildes que necessitam do Defensor Público, pois com mais estrutura, poderemos realizar de forma mais profícua o nosso mister.

 

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