Foi bastante movimentada a manhã de terça-feira, 11, dos Defensores Públicos. No Bairro Antônio Bezerra, a categoria realizou um ato pela paz, que contou com a participação de representantes de movimentos sociais, como Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas-MLB, Cáritas Diocesana, Centro Cultural em Defesa dos Direitos Humanos Manoel Lisboa e do Conselho da Ouvidora da Defensoria Pública do Estado do Ceará. O evento teve ampla cobertura da imprensa e apoio da própria comunidade que reclama que ações públicas possam ser promovidas face à crescente onda de violência registrada naquela área.
Os dados sobre a Regional III mostram que, dentre os bairros com grande incidência de furtos, o Antônio Bezerra apresenta o maior número de casos. Dos 4.675 roubos ocorridos em 2009, o Antônio Bezerra, novamente, aparece no topo da lista, com 880 casos, além de ser também o bairro com o maior número de registro de mortes violentas, com 25,6% dos 238 assassinatos ocorridos naquela regional.
Em consequência da violência, escolas estão suspendendo as aulas e fechando as portas. Na tarde ontem, pouco depois da saída dos Defensores Públicos do bairro, um vigilante de uma escola foi baleado, durante uma tentativa de roubo no colégio. Houve tumulto e os alunos deixaram a escola.

Pacificador
“Um dos caminhos para pacificar esta região é a instalação de um núcleo da Defensoria Pública. Porque através do seu trabalho, o Defensor Público leva cidadania à comunidade. Um exemplo disso é o Bairro João XXIII, que tinha registro de violência e hoje, depois que recebeu o núcleo da Defensoria, esse índice caiu de forma significativa”, afirmou Ana Virgínia Ferreira, conselheira da Ouvidoria da DPGE, acrescentando que “fortalecer a Defensoria é fortalecer a cidadania”.
Da mesma opinião, a representante do MLP, Jocelma Vieira, disse que somente com uma Defensoria valorizada é que a população terá os seus direitos assegurados. “Para termos um bairro pacífico precisamos da ajuda dos Defensores. Por isso, pedimos ao governador Cid Gomes que atenda às demandas dos Defensores, fortaleça essa classe e estará fortalecendo cada cearense que dela necessita”, ressaltou.
“O Defensor Público é um forte, é aquele que luta pelos que estão à margem da sociedade e que mais necessitam de justiça. Por isso, pedimos que a população, não apenas do Grande Antônio Bezerra, mas de toda Fortaleza, venha se juntar à luta dos Defensores, que é uma luta legítima e merece todo o nosso apoio”, disse Cerley Leal, do Centro Cultural em Defesa dos Direitos Humanos Manoel Lisboa.
A moradora Verônica Silva, que afirmou já ter sido atendida por um Defensor e sabe da importância desse profissional no dia a dia da população, afirmou que “está na hora do governo dar mais atenção à Defensoria, porque ela é a única forma do pobre ter acesso à justiça de que tanto precisa”.
Os Defensores Públicos fizeram uma caminhada pela paz e também se manifestaram apresentando as razões da greve da categoria, tendo recebido o apoio da população ao movimento que tem como objetivo tornar mais forte a Defensoria Pública e, consequentemente, oferecer um serviço mais eficiente e que chegue a toda população.

 

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