“Nós estamos buscando uma solução pacífica para esse impasse porque temos informações de uma operação de desocupação já sendo organizada”, afirmou o defensor público Eduardo Villaça. Segundo ele, o desejo da maior parte das 250 famílias que ocupam o terreno no Passaré desde o último dia 15 é uma negociação com o Habitafor para resolver o problema da falta de moradia. Ontem, durante a reunião, o defensor Thiago Tozzi telefonou para o órgão e agendou contato para hoje com a presidente do Habitafor, Olinda Marques.

Segundo ele, até sexta-feira uma resposta deve ser dada aos invasores. No entanto, ele afirmou que nenhum cadastro deverá ser feito enquanto eles não deixaram o local, somente um levantamento das pessoas.

Os representantes dos ocupantes sugeriram ainda a transferência das famílias mais carentes para um galpão vazio, também localizado no Passaré, enquanto uma solução não é apontada definitivamente.

A empregada doméstica Erenir França de Castro, de 34 anos, afirmou a pobreza extrema é comum a muitas pessoas que invadiram o local. Ela conta que sustenta sozinha seus três filhos e mora de favor na casa de uma tia porque não consegue pagar um aluguel. “Mas a gente não pode ficar para sempre na casa dos outros. Preciso do meu lugar com meus filhos”, desabafa.

A diarista Reginalda Maria Nascimento, de 36 anos, também é mãe solteira cuidando de três filhos. “Eu ganho menos de um salário mínimo e pago aluguel. O dinheiro não dá. Lá no Passaré, tenho minha mãe que mora perto e vou poder ajudar também”, conta.

Ela diz que já estava se sentindo sem saída quando soube da invasão e resolveu tentar a sorte também. “Eu já sei que a gente não vai poder ficar lá no terreno, mas tenho esperança de conseguir ajuda do Habitafor”, diz Reginalda

Já o jovem Franciney Conceição de Assis, de somente 18 anos, invadiu o terreno porque diz que precisa de um local só para ele. Tento terminado os estudos e ainda morando com os pais, ele se prepara para o primeiro emprego e almeja uma vaga na área de Telemarketing. “Eu já atingi a maioridade a acho que não devo mais ficar morando com meus pais e irmãos, mas não tenho como pagar um local”, relata.

Operação

Na reunião realizada no último dia 19 entre Ministério Público, Polícia Militar e Defensoria Pública, ficou decidido que, caso a Defensoria Pública, junto com a Defesa Civil, não conseguisse negociar com os invasores a desocupação pacífica, uma operação de retirada seria montada, envolvendo a Guarda Municipal, Secretaria Executiva Regional VI e Polícia Militar.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Compartilhe