A Adpec traz nesta sexta-feira, 23, a 12ª edição da seção Minha História. Nossa Luta, que conta a trajetória do defensor público aposentado Francisco Hélio Gomes Ferreira. Um homem que não desencorajou-se com as dificuldades da profissão e luta pela defesa dos menos favorecidos.  Confiram:

Por Lucílio Lessa. Assessor de Comunicação da Adpec

 

Dr. Francisco Hélio Gomes Ferreira constrói a verdade funda de suas ações no seu bom caráter. Aos 66 anos, o defensor público aposentado tem a noção exata dos caminhos que percorreu não só no Direito, mas em toda uma trajetória que se faz notável, sobretudo, pelo seu espírito de perseverança. Ao ser convidado a participar da seção Minha História. Nossa Luta, o defensor reviveu lembranças centradas na gratidão, solidariedade e defesa dos menos favorecidos. E pelo seu olhar ainda adolescente, dá sinais de que sua biografia só está na metade.

Para relembrar seus rastros, começamos por Missão Velha, sua terra natal. Filho de um comerciante e de uma dona de casa, logo cedo começou a dar sua contribuição, ajudando no bar e alfaiataria da família. Em 1964, deixou a casa onde vivia com os pais e 10 irmãos, e seguiu ainda menino para morar com parentes em Fortaleza, a fim de estudar. Pouco tempo depois, já garantia para si certa independência ao passar a morar em uma República de estudantes. E mesmo tendo simpatia pela área de Economia, acabou enveredando pelo Direito.

Durante o curso na Universidade Federal do Ceará, sentiu a importância da profissão de defensor público, então denominada advogado de ofício, ao estagiar no Fórum da capital. “Achava bonito aquele atendimento aos pobres. Um dia, disse: ‘Quando me formar, vou ser advogado de ofício’”. Mas até que esse sonho de fato viesse a ser concretizado, a caminhada foi longa.

Ainda na faculdade, começou a trabalhar na Companhia Docas do Ceará, inicialmente como auxiliar de escritório e em seguida como conferente. De lá ascendeu profissionalmente, ocupando cargo importante na Empresa Nestlé – época em que se formou, em 1976. Posteriormente casou com sua esposa, Maria Rios. Mas foi durante sua passagem profissional pelo Supermercado Jumbo, hoje Pão de Açúcar, que decidiu resgatar seu desejo de seguir a profissão. “Me sentia constrangido por não atuar na área para a qual eu havia me formado. Foi quando surgiu o primeiro concurso para advogado de ofício. Me inscrevi e passei”. E recorda com os olhos marejados do gerente que colaborou para que ele pudesse fazer a prova. “Era como um pai. Por ser dia de inventário no Jumbo, só pude sair porque ele alegou que minha mulher ia dar a luz ao meu primeiro filho, embora ela só estivesse no 5° mês de gestação”.

Assim, Hélio Gomes deu início a uma carreira que o orgulha e que inspirou três de seus quatro filhos. “Tenho um filho juiz, um procurador do Estado, uma filha terminando  Direito e outra formada pedagoga”, comemora. Em sua trajetória profissional, Hélio também foi diretor do Instituto Penal Paulo Sarasate, presidente da Associação dos Advogados Criminalistas do Estado do Ceará, e coordenador adjunto do Escritório Modelo Professor Alcântara Nogueira, na Faculdade de Direito da UFC. Tudo isso sempre com a mesma inspiração e dignidade que permitiram a ele não desencorajar-se quando, no início da carreira, teve que atender por vezes os cidadãos em plena praça, no interior do Estado, ou quando precisou tantas vezes bater de frente com autoridades para fazer valer o direito do cidadão carente. “Sempre briguei pelos pobres. Onde precisassem de um advogado de ofício, eu estava lá”, diz ele, com a autoridade genuína de quem sabe que está com o dever cumprido.

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