Dra. UYARA
Dra. Maria Uyara Campos Viana
Dra. Uyara me recebeu com um grande sorriso, uma voz mansa e me convidou a adentrar ao seu belíssimo apartamento, local de uma família cheia de brilhos refletidos em fotos que se espalham por sua sala de visitas. “A Defensoria foi a realização da minha vida”, começou a doutora. Quando ainda jovem, sua vontade e desejo de se tornar advogada de ofício na antiga Procuradoria de Assistência Judiciária aos Necessitados fora freada pela forte cultura machista da época. Já formada, em sua primeira tentativa de assumir um cargo na antiga Procuradoria, a jovem Uyara fora surpreendida com as palavras do gestor da época: “Não quero mulheres bonitas aqui. Mulher bonita só quer trabalhar para conseguir um marido”. Pasma ao contar essa história, a doutora completou: “E eu nem me acho bonita! Foi um absurdo”.

Porém, a jovem doutora não desistiria do seu sonho, e um ano depois assumiu o cargo de advogada na mesma Procuradoria. “Ali eu me realizei”, afirmou saudosista. Atuou na Área Cível, mas foi na Criminal onde passou mais tempo e firmou seu nome como uma grande e competente defensora. “Nesta profissão, quando você dá a atenção necessária ao assistido.você pode mudar a vida dele. Isso já aconteceu demais conosco”, dizia isso olhando para sua melhor amiga, a também doutora Salete Castelo, que estava presente no local e cujo sua história será a próxima a ser publicada. Esta foi uma amizade de laços tão fortes que ambas não queriam fazer a entrevista se não fossem juntas. “A Salete foi um grande presente que minha carreira na defensoria me deu” afirmou a Dra. Uyara.

Nesta vida de lutas como defensora pública, Maria Uyara fica com os olhos marejados ao lembrar os atos de gratidão dos seus assistidos. Me emocionava ver como eles eram gratos e o que eles faziam para nos agradecer”, dizia. “Uma vez, recebi um jerimum enorme de um assistido. Eu dizia que não precisava, mas o rapaz afirmava que não aceitaria um ‘não’ como resposta, pois ele tinha a obrigação de me agradecer”, narrava animada.

O sentimento que a tomava cobria seu rosto de satisfação. Foi uma carreira cheia de vitórias e fatos emocionantes, cujo maior ideal era apoiar os necessitados da melhor forma, obedecendo a lei e dando-lhes todas as condições jurídicas para um julgamento justo. “Me realizava porque eu sentia que estava fazendo algo por alguém”, dizia com segurança, a doutora. Foram 33 anos de trabalho na Defensoria Pública. Tempo que fez de Maria Uyara e Maria Salete nomes importantes, tanto para a Defensoria Pública, como para a Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará, pois ambas participaram da criação deste órgão que luta todos os dias pelas melhores condições de trabalho dos defensores.

Renan de Andrade

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