Zeferino siteO defensor público aposentado Zeferino Pinheiro Barreira, 71 anos, natural de Fortaleza, ingressou na Defensoria Pública aos 50 anos. Divorciado, pai de Érico Martins Barreira e Lívia Martins Barreira, ele conta que não foi fácil concorrer com jovens recém-formados. Mas a determinação o fez seguir na carreira que abraçou e da qual sente muito orgulho.

Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, na turma de 1973, Zeferino Barreira é um gentleman. Educado e simpático, conversou com a Assessoria de Imprensa da Adpec e revelou que gosta muito de ir ao cinema, a bons restaurantes, ouvir tangos e boleros, além de frequentar a casa dos amigos. É um pai dedicado e que torce pelo sucesso dos filhos.

Na sua “rotina de aposentado”, tem procurado não se afastar totalmente da advocacia, mantendo o hábito de leituras variadas. “Procuro estar sempre próximo aos familiares e amigos, participando de atividades que incluem música, boas conversas e boa gastronomia. De vez, em quando, também procuro viajar, o que sempre gostei de fazer”, confidencia.

Zeferino ingressou na Defensoria Pública do Ceará no ano de 1993, por meio de um concurso público, aos 50 anos. Ele nos conta que não foi fácil ser aprovado, visto que os candidatos, em sua maioria, eram jovens recém-formados. “Mas, como eu vinha há cerca de dois anos me submetendo a outros concursos públicos, acreditei que poderia obter a aprovação e não desisti”, revela.

Para Zeferino, o que muito o ajudou a passar no certame foi a experiência adquirida na função de advogado do Banco de Desenvolvimento do Ceará (Bandece), durante 22 anos. “Naquela época, já exercia a advocacia e, realmente, a Defensoria Pública seria uma oportunidade de continuar advogando, pois este sempre foi o ramo do Direito com o qual eu mais me identifico”.

Permanecendo como Defensor Público por 10 anos – até 2003, quando se aposentou, ele conta que o principal desafio durante o exercício da atividade defensorial foi prestar uma boa assistência aos necessitados, que sempre se constituíram (como ainda hoje) a grande maioria da população.

“Embora a Defensoria, naquele tempo, tivesse uma estrutura muito precária (notoriamente diferente dos dias atuais), acredito que eu e os colegas conseguimos vencer os obstáculos cotidianos e, assim, minorar um pouco o sofrimento das pessoas carentes que nos procuravam”, afirma.

Hoje, Zeferino faz uma avaliação positiva da atuação da Defensoria Pública. Para ele, é evidente que houve, sobretudo ao longo da última década, uma melhora substancial na prestação do serviço. “Acredito que isto ocorreu devido ao reconhecimento por parte da população do papel que o órgão desempenha na sociedade, ensejando o acesso democrático a Justiça”, pontua.

Outro fator para o crescimento da atividade, na avaliação do defensor aposentado, são as campanhas de valorização do profissional que continuam sendo desenvolvidas. “Acompanhei de perto, em busca de melhores condições de trabalho e salariais. É claro que isso demandou uma luta muito grande ao longo do tempo, a qual prossegue ainda hoje, principalmente com relação ao número de defensores públicos que continua bem abaixo do necessário”.

Sempre que tem oportunidade de falar sobre a Defensoria Pública aos jovens advogados, nosso simpático entrevistado diz que procura incentivar o ingresso deles na carreira, enaltecendo o importante papel que este profissional desempenha perante a sociedade. “Os anos nos quais tive a oportunidade de exercer a atividade de defensor público foram muito gratificantes e tenho hoje pela Defensoria Pública um carinho todo especial”.

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