A Adpec traz nesta sexta-feira, 30, a 13ª edição da seção Minha História. Nossa Luta. Desta vez contamos a trajetória da defensora pública aposentada Antônia Rosélia Moreira Góis, conhecida “doutora dos pobres” nos muitos anos em que atuou na Defensoria Pública.  Confiram:

Por Lucílio Lessa. Assessor de Comunicação da Adpec

Antônia Rosélia Moreira Góis, 77 anos, desde muito jovem sabia que queria fazer Direito. No recorte de suas lembranças, não faltam situações em que ela, mesmo na infância, se via às voltas em defesa do que considerava justo. E por mais que sua memória nem sempre seja precisa, a lucidez e propriedade com que fala sobre o amor à profissão revela um traço fascinante que Zelita, como é conhecida, carrega consigo: a solidariedade.

Com um caráter erguido sobre ideais de compaixão e no qual predomina um inspirador traço de perseverança, Rosélia é, por assim dizer, uma sobrevivente. Filha de um funcionário público e de uma dona de casa, perdeu a mãe aos 10 anos de idade e, aos 17, contraiu tuberculose nos dois pulmões. “Foi uma época muito difícil. Todos me achavam fraquinha”, diz. Reclusa por oito anos para tratamento, Zelita transpôs o período de sofrimento e voltou aos estudos assim que se recuperou, época em que mudou-se de Acoipara, sua terra natal, para morar na capital cearense.

Após concluir seus estudos na Escola Normal, foi aprovada no curso de Direito da Universidade Federal do Ceará e, assim que se graduou, começou a advogar. Do escritório situado no Edifício Santa Lúcia, no centro da cidade, mudou-se novamente para Acopiara, atuando como tabeliã do cartório local. Tempos depois passou no concurso público para advogado de ofício em Sobral. Mas antes disso, casou-se. “Ele era fotógrafo e mais novo que eu. Como era muito namorador, não aguentei a barra e separei”, conta com irreverência. Só depois casou-se com seu companheiro de décadas, o Sr. Antônio, que por sinal é seu primo legítimo. “E 14 anos mais novo que eu”, ressalta.

Nas memórias de Sobral, Zelita destaca duas passagens. Uma delas foi o apoio que sempre recebeu do jurista sobralense José Euclides Ferreira Gomes, pai do governador Cid Gomes. A outra passagem é o que ela própria define como o maior presente que recebeu. “Certo dia uma moça grávida foi procurar ajuda e pediu para que eu adotasse o bebê dela. Eu não tinha filhos e aceitei. Adotei minha amada filha Audíria. Hoje sou avó de dois netos”, conta.

De volta à Fortaleza depois de anos em Sobral, Rosélia dedicou décadas de trabalho à Defensoria Pública da capital, atuando na área de petições. “Era conhecida como a doutora dos pobres”, diz ela, com a perspectiva de quem sempre trabalhou pelo social. Hoje, Zelita aproveita a aposentadoria para viajar e reviver lembranças. Olhando álbuns de fotografia, mostra fotos dos seis irmãos, entre eles o deputado Dr. Sarto e o vereador Elpídio Nogueira. E manda um recado para quem se inicia na profissão: “Não é fácil. Tem que ter paixão”. 

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