Antônio Caetano Osterno Rios tem características que indicam ser ele um líder. Seja pela serenidade com que relata episódios de sua vida ou pela postura em momentos de tensão por conta da profissão, ele demonstra que traz dentro de si a coragem e a doçura inerentes àqueles a quem é fácil admirar. Sem demonstrar ansiedade ou hesitação, Caetano discorre sobre qualquer tema com extrema naturalidade. Tampouco sente necessidade de se ater a detalhes que possam o amargurar. Para o Dr. Caetano, na vida, a prova dos nove é ser feliz.

Caetano representa uma época em que, a partir dos anos 1960, se intensificaram projetos culturais em continuação à década anterior. Esta marcada por uma crise no moralismo rígido da sociedade. Com hábitos esportivos e boêmios, tudo ao mesmo tempo, Caetano era figura conhecida nas rodas dos diversos clubes da moda existentes na capital. Lá, curtia a juventude praticando esportes e circulando pelas grandes festas, ao som da Jovem Guarda e do Rock n’ Roll.

Filho de comerciantes bem sucedidos, Caetano nasceu em Granja, interior do Ceará, mas por conta da profissão do pai, que tinha lojas em outras localidades, morou em Marco e Camocim junto com os três irmãos. Ressalte-se que a ordem dos fatos nem sempre está na cronologia correta, pois Caetano resume os acontecimentos em uma conversa tão informal quanto sua natureza espontânea. Mas o fato é que herdou dos pais o gosto pela diversão e, sobretudo, pelo trabalho.

Tanto é assim que, aos 18 anos, ocupou o cargo de agente administrativo na Secretaria de Justiça do Estado, tendo recebido a nomeação do próprio governador Pascoal Barroso. “Era assim que acontecia naquela época”, diz, aos risos. De lá, Caetano saiu para a Secretaria de Cultura. Chegou inclusive a ser diretor geral em cada um desses órgãos. Mas bem antes disso, morou na Bahia onde trabalhou em uma multinacional de medicamentos.

A faculdade de Direito concluiu na Universidade Federal do Ceará (UFC). Ainda durante o curso foi vice-diretor do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa e, ao terminar a faculdade, iniciou uma trajetória a frente do Instituto Psiquiátrico Governador Stenio Gomes, onde foi diretor por seis vezes. Casou aos 32 anos de idade. Posteriormente tornou-se defensor público, à época advogado de ofício. Foi três vezes diretor do Instituto Penal Paulo Sarasate, além de chefe de gabinete do governador Virgílio Távora. Tanto lá quanto na época em que foi presidente da Adpec, intensificou sua luta pela causa dos defensores públicos.

Hoje, Caetano conta essas histórias na tranqüilidade de um pequeno sítio situado na Região Metropolitana de Fortaleza. De lá, segue com freqüência para praias do interior, como Quixaba, onde possui residência. Como lhe é de costume, por onde passa se insere à rotina da comunidade e não hesita em ajudar sempre que é necessário, como quando por vezes conseguiu internar um morador local em uma clínica de reabilitação onde um amigo é diretor. “Nunca tive medo. No Paulo Sarasate eu andava sozinho, de cela em cela. Todos tinham respeito. Não era raro ouvir palmas enquanto gritavam meu nome”, diz Caetano, que aproveita a aposentadoria para curtir as filhas e o neto, Ronald, e resume sua postura numa frase. “Meu pai sempre dizia: ‘Ninguém segura na minha munheca’. Todas as nossas atitudes têm que estar amparadas pela seriedade e honestidade”, conclui.

Por Lucílio Lessa

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