HeliadyUma lição de vida. Essa é a conclusão que se chega após uma conversa com o Dr. Heliady Sales de Oliveira. Despachado, emotivo, confiante, questionador, ele detém características que se complementam e que o tornam um sujeito singular, um ser humano admirável. Alguém que, por trás da expressão serena, possui um interior profundo, construído a partir de muita superação. Um grande homem que preserva com felicidade o amor à família, aos amigos e ao próximo.

Embora tenha nascido em Fortaleza, parte importante da história de Heliady está no Baixo Jaguaribe, num lugarejo chamado Rancho do Povo, em Itaiçaba. Foi lá que nasceram seus pais, um servidor do Estado e uma dona de casa. “Minha relação com eles sempre foi muito pacífica. Meus pais lutavam com dificuldade, mas sempre fizeram tudo para os seus 11 filhos”, destaca. Foi então que ao concluir o terceiro ano científico, mudou-se para a casa de um irmão, em São Paulo, a fim de tentar admissão no curso de engenharia.

Ao contar essa etapa de sua trajetória, Heliady percorre a sala com os olhos e procura sintetizar as emoções. “Acabei não tendo o apoio necessário do meu irmão”. E embora ainda não tivesse sido admitido na universidade, começou a trabalhar e a se estabelecer na terra da garoa. Até que despertou para uma dura realidade. “Certo dia, quando atravessava uma rua, fui atropelado por um ônibus. Passei 4 meses hospitalizado. Sofri muito, sem família, sozinho, pois todos estavam no Ceará. Mas não me desesperei. Superei tudo isso”, ressalta.

Já de volta à Fortaleza, tentou vestibular para economia, mas acabou sendo admitido em Direito. “Ainda hoje estou satisfeito com esse rumo que minha vida tomou”. Durante o período da faculdade, em uma festinha no bairro em que morava, Rodolfo Teófilo, conheceu a esposa Maria Erivanda, e casou-se em 1969. Do amor dos dois, nasceu o filho Daniel, de quem fala com orgulho. “Meu filho é Major do Exército. Um grande homem”, diz.

Antes de tornar-se defensor público, então advogado de ofício, Heliady advogou por anos. A decisão de tornar-se “advogado de ofício” deu-se por conta de um estágio na área de assistência judiciária aos necessitados, ainda na faculdade. Em sua carreira constam passagens pela 2ª Vara Criminal de Fortaleza, pelo Instituto Penal Olavo Oliveira, e pelo 9º Juizado Especial Cível, além do Instituto Penal Paulo Sarasate. E mesmo com alguns problemas de saúde, que certamente irá superar, defende com unhas e dentes os pleitos da causa do defensor público e dedica sua vida, junto de sua esposa, a ajudar a quem necessita. “Isso tem me fortalecido muito. Peço a Deus que sempre me dê forças para ajudar os necessitados”, diz, com o altruísmo comum a quem é verdadeiramente especial.

Por Lucílio Lessa

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