ErnaldoJosé Ernaldo Rodrigues da Silva fala com a perspectiva de quem alcançou seus objetivos. O discurso sem freios aponta a eloquência de um grande orador, já a riqueza das informações sobre sua trajetória denota a lucidez de quem transpôs décadas com a mesma vivacidade e motivação da juventude. A esta combinação, somam-se sua expressão amigável e seu cativante sorriso, que imediatamente nos remete à lembrança de um tio querido, de um amigo.

Pelo recorte de suas memórias, é fácil compreender quem é o Dr. Ernaldo. Natural de Aurora, interior do Estado, desde cedo ele e os nove irmãos compreenderam a importância da disciplina. Filho de um construtor e de uma dona de casa, Ernaldo iniciou sua vida estudantil no seminário, de onde, como ele mesmo diz, tirou a ênfase de valorizar os estudos. “Mas não tinha vocação para ser padre”, declara, bem humorado, e com um olhar apaixonado para a esposa, dona Marcleide.

Com a mudança da família para Fortaleza, seguiu seus estudos no Liceu do Ceará. E antes mesmo de entrar na faculdade de Direito, foi aprovado no concurso para agente administrativo no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Ao concluir o curso universitário, iniciou uma rápida parceria com um amigo, em um escritório de advocacia. Mas ao perceber que o cenário local não estava favorável, não titubeou em buscar novas oportunidades.

“Decidi fazer uma viagem, sem destino, mesmo contra a vontade de milha família. Cheguei na rodoviária e perguntei ao motorista do primeiro ônibus que vi: ‘Para onde vai este ônibus?’”, lembra. E seguiu para Tabuleiro do Norte, onde construiu uma brilhante carreira como assessor jurídico no executivo e em outros órgãos de esferas multilaterais. “Foi o tempo em que conheci essa bela mulher”, diz, apontando novamente para a esposa.

De lá para cá, Ernaldo continuou a construir com muita dignidade uma história que enche de orgulho dona Marcleide e os quatro filhos. Um deles, o Júnior, bacharel em Direito, acompanhou toda a entrevista ao lado dos pais. Além do município de Tabuleiro, Ernaldo trabalhou em Russas, como assessor jurídico de órgãos entre os quais a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Ceará (Fetraece). E já concursado como defensor público, então advogado de ofício, atuou em Iguatu e Quixelô. “É gratificante lutar pelos mais necessitados”, declara ele, ainda hoje lembrado por todas as comunidades pelas quais passou. Após décadas atuando em favor dos pobres no interior do Estado, solicitou transferência para a capital cearense, onde se aposentou.

Quando cheguei para entrevistar o Dr Ernaldo, ele estava propositalmente elegante, na expectativa da entrevista para o Minha História. Nossa Luta. Durante a conversa, soube que, ainda hoje, exerce sua profissão de advogado, sem dar o menor sinal de cansaço. Ao vê-lo tão seguro de si e orgulhoso de sua conduta como profissional, como marido e como pai, fico eu mesmo com orgulho de tê-lo conhecido e parafraseio o Rei Roberto Carlos. “É preciso saber viver’.

Por Lucílio Lessa

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