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“Dizer a verdadeira idade é a melhor maneira de agradecer a Deus pelo dom da vida”. A frase é da defensora pública aposentada Maria Leônia de Oliveira Leão, uma cativante senhora de 76 anos que com seu sorriso manso e semblante sereno desperta de pronto um carinho típico de quando encontramos um ente querido. Não à toa. Leônia tem o brilho das pessoas verdadeiramente especiais.

E não se furta em ser simpática. Bastam alguns segundos de prosa para ela se desmanchar em gentilezas, característica marcante de sua personalidade. Após breve diálogo no qual predomina uma identificação mútua entre nós por conta da religiosidade, começa então uma delicada história, às vezes cômica, às vezes comovente.

Leônia é filha de um tabelião e de uma prendada dona de casa. Do pai, puxou o interesse pela área do Direito. Da mãe, a fé. “Ela era diretora da Pia União das Filhas de Maria (associação de moças católicas sob a proteção da Virgem Imaculada e de Santa Inês)”, conta Leônia, que desde a infância freqüenta a Missa, religiosamente, todos os dias. “Às vezes ia pela manhã e a tarde. Era a vontade de comungar. A coisa melhor do mundo é a gente estar perto de Deus”, ressalta ela, que hoje é ministra da Eucaristia.

Ainda na infância, passou cerca de dois anos sem freqüentar a escola por conta de alguns problemas de saúde, logo quando mudou-se para o Crato, onde morava em um internato. Quando o pai foi transferido para Fortaleza, veio com ele, a mãe e os dois irmãos. Época em que estudou no colégio Farias Brito e freqüentou o curso Normal. “Queria ser professora, mas meu pai pediu para eu fazer Direito”.

Na faculdade, encantou-se pelo Direito Romano, então tomou gosto. Ao concluir o curso, trabalhou como assessora jurídica na Secretaria de Educação do Estado do Ceará, Secretaria de Justiça, Secretaria de Administração – na qual compôs a Comissão de Acumulação de Cargos – seguida da Assembleia Legislativa. Sempre em cargos comissionados e cedida pela Secretaria de Justiça, onde se aposentou.

Apesar da bem sucedida carreira profissional, “é na fé e na família que Leônia encontra sua verdadeira razão de viver”, como diriam os mais sentimentais, como eu. Casada com o primeiro namorado, João Eudes, ela recorda que seu pai só deixou que os dois namorassem se ela prometesse não prejudicar os estudos e não se casar antes de se formar. Leônia cumpriu a promessa e fez muito mais: teve 5 dedicados filhos, 7 netos, e o mérito de sempre ter contribuído para uma sociedade mais justa e igualitária. “Minha fé reflete no meu trabalho. Sempre procurei ajudar os necessitados e fazer Justiça”, conclui.

Por Lucílio Lessa

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