A Dra. Ocileide Saraiva é a terceira entrevistada do quadro ‘Minha História. Nossa Luta’, que tem como objetivo destacar as atividades dos Defensores Públicos que hoje estão aposentados e que deram grande contribuição para o fortalecimento da Defensoria Pública no Estado.
Maria Ocileide Forte Ramos Saraiva
Atual diretora dos Aposentados e Pensionistas da Adpec, Dra. Maria Ocileide Forte Ramos Saraiva, é formada em Direito pela UFC, com especialização em Processo Penal, pela Unifor. É também graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Uece.
Ainda como acadêmica de Direito, estagiou na Justiça Federal, com o Dr. Francisco Leite de Albuquerque Júnior e o Dr. Wellington Rocha Leitão.
Ao concluir a faculdade, foi convidada pelo Dr. Wellington para trabalhar em seu escritório, onde permaneceu por vários anos.
Em 1978 passou no concurso para Advogado de Ofício. Sendo nomeada somente em 1982. Ficou lotada na 2ª. Vara Criminal. “Foi um período puxado”, observa Dra. Ocileide, “pela manhã trabalhava no Fórum antigo, da Praça da Sé, e à tarde na Justiça Federal, com o Dr. Leitão”.
Foi chefe do Núcleo do João XXIII, da Defensoria Pública. Respondeu ainda pela assessoria jurídica da Secretaria de Justiça. Na mesma Pasta, atuou como presidente da Sindicância.
Em 1994 foi nomeada diretora de Secretaria da 5ª. Vara Criminal, no Fórum Clóvis Beviláqua, onde permaneceu até 1997. Assumiu a direção do Núcleo do Pirambu, ao mesmo tempo em que atuava no Tribunal do Povo, respondendo pela 2ª. Entrância do Juizado Especial. “Tudo isso concomitante com a respondência da 7ª Vara Criminal”, enfatiza Dra. Ocileide, explicando que trabalhava segunda, quarta e sexta-feira no Núcleo do Pirambu, terça e quinta-feira no Tribunal do Povo e à tarde na 7ª. Vara Criminal.
A aposentadoria chegou em 2003.
A Dra. Ocileide participou da primeira gestão da Adpec, 1ª. Secretária. “Não pude ficar muito tempo por conta das muitas atividades que exercia no dia a dia”, explica.
Uma recordação do tempo do trabalho como Advogada de Ofício: “A certidão de nascimento dos mais necessitados, vinha com a seguinte frase, escrita com destaque, no alto da página “Justiça dos Pobres”. Aquilo era um absurdo. Junto com outros colegas, nos mobilizamos e conseguimos que esta frase fosse retirada”, comemora.
Dra. Ocileide lembra também das dificuldades para a realização do trabalho. “Máquinas de escrever sempre quebradas, tínhamos que comprar todo o material de escritório. Com a criação da Adpec e, posteriormente, da Defensoria Pública, que teve na pessoa da Dra. Jacirema Leda Moreira, uma das maiores batalhadoras para a sua concretização, trabalho que posteriormente foi continuado com muita dedicação, também pela Dra. Nívea Rolim, a situação começou a melhorar, tanto em relação à estrutura física e as condições de trabalho, quanto na questão salarial, mas, até hoje não recebemos o que determina a Constituição”, avalia.
Mas, nada foi obstáculo para abraçar a profissão que lhe trouxe tantas realizações. “Este trabalho foi a concretização de um sonho. Sempre gostei de ajudar as pessoas, de trabalhar com os mais necessitados. Na Defensoria Pública recebemos as pessoas carentes, sob os mais variados aspectos. Levantamos o seu espírito, levamos palavras de força e até ajudamos com um dinheirinho para o transporte, um cafezinho”, conclui Dra. Ocileide.

Por Lucílio Lessa

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