VALDENIZE“Atender às pessoas mais pobres sempre foi o que mais me trouxe realização”. Com esta frase, a defensora pública aposentada Valdenize do Nascimento Marques resume a sua carreira na Defensoria Pública do Ceará. Com brilho nos olhos e emoção na fala, ela conta que, para quem tem esta profissão como vocação, não existe recompensa melhor do que um “muito obrigado” de um cliente assistido. “Quando eu via o sorriso deles, me sentia realizada”.

Natural do Piauí, a dra. Valdenize ingressou na Defensoria Pública em 1982, tendo sido lotada na 7ª Vara Criminal durante oito anos. “Posteriormente, fui orientadora de estágio na UFC, tendo passado, em seguida, a atuar no Setor de Contestação da 5ª Vara de Família, onde permaneci até 1998, quando requeri minha aposentadoria proporcional para me dedicar à advocacia particular, área na qual atuo até a presente data”, relata.

Dra. Valdenize conta que sempre gostou muito de trabalhar na área de Família. “Porque eu via a alegria das pessoas assistidas. No crime, não. É diferente; a gente vê mais sofrimento e desesperança”, admite ela, que também atuou, embora por apenas dois meses, em Baturité. “Os mais necessitados olham para os defensores com grandes esperanças. Quando eu passava e era cumprimentada por eles, tinha enorme satisfação”.

Para a defensora aposentada, não importava a falta de estrutura, ou o pioneirismo dos que ingressaram na carreira defensorial quando os tempos eram mais difíceis. Revisão de FGTS, pensões alimentícias, alvarás… O que o cliente necessitasse, ela estava ali, pronta para atender. “Como forma de gratidão, muitos nos davam bolos, queijos, um corte de tecido. E a gente não podia recusar, para não fazer desfeita”, lembra.

Quando se empolgava com um “caso”, dra. Valdenize fazia o papel de “investigadora”. “Se o sujeito afirmava que não tinha dinheiro para pagar pensão, eu ia lá, investigar para descobrir se era verdade. Pedia extrato de FGTS, ligava para o local de trabalho… Tudo para fazer um bom trabalho às assistidas”.

Na advocacia particular, ela conta que levou muito do seu perfil defensorial. “Gosto de defender os mais fracos. Tanto que me especializei em Direito do Consumidor. É sempre bom defender alguém contra bancos, financeiras, operadoras de cartão de crédito”, confessa.

Nas horas de lazer, dra. Valdenize gosta de passear e viajar, além de paparicar os netos – já são sete. Pena que apenas dois morem em Fortaleza. Seus quatro filhos (três mulheres e um homem) são todos casados. Nossa entrevistada confidencia que “adora bater perna”. “Vou ao Fórum quase todo dia, para agilizar os processos”.

Dra. Valdenize ressalta que participou de duas gestões da Adpec, cujo período teve como presidente a dra. Mariana Lobo. Exerceu, à época, o cargo de Conselheira Fiscal da Associação. “Mesmo aposentada, sempre participei assiduamente dos movimentos realizados pela Adpec, visando a concretização de melhorias para a nossa classe”, afirma, acrescentando que hoje se sente “feliz e gratificada em ter contribuído de alguma forma para a conquista de nossos ideais”.

Deixe uma resposta