Quem tem familiar em penitenciária precisa passar por uma verdadeira saga, até conseguir encontrar o preso. Na entrada do complexo prisional, que abrange as Casas de Privação Provisórias de Liberdade II, III e IV, no Km 17 da BR 116, em Itaitinga, as filas se formam antes do amanhecer e muitas pessoas passam a noite ao relento. O matagal no entorno dos presídios é utilizado como banheiro e local para trocar de roupa. Além disso, se o visitante não quiser percorrer 1 Km a pé, entre a portaria e o presídio, tem que pagar pelo transporte motorizado.

Familiares reclamam de demora nas filas e dos excessos nos momentos de revista. Destacam que, ainda assim, as visitas podem ser suspensas Foto: Kiko Silva

E a saga não termina aí. No presídio, o constrangimento é potencializado. Em uma sala pequena e abafada, segundo os próprios visitantes, as mulheres são expostas a situações que elas consideram vexatórias. Com a ausência de um scanner de corpo, as visitantes precisam passar por uma revista rigorosa e feita manualmente. Segundo elas, é necessário tirar toda a roupa, agachar-se várias vezes, tossir e ter o aparelho de Raio X passado por todo o corpo para verificar a presença ou não de drogas e armas.

Isso vale para o Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, o Instituto Penal Paulo Sarasate, em Aquiraz ou para as Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) II, III e IV, em Itaitinga.

De acordo com a defensora pública Gina Kerly Pontes Moura, as primeiras pessoas da fila chegam antes do dia amanhecer: "A senhora grávida, com gestação de risco, da fila prioritária, tinha chegado às 2h do domingo e a senhora da fila comum, estava na portaria desde às 5h de sábado. E as visitas só começam às 9h30 do domingo. Isso ofende a dignidade das pessoas".

Para a defensora pública, a revista é a situação mais vexatória. "As mulheres precisam tirar toda a roupa, algumas até idosas, e se tocarem diante de um espelho. No dia em que participamos da revista, nós não presenciamos crianças passando por esse tipo de procedimento, mas as mulheres disseram que elas precisam se despir".

A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Justiça (Sejus) informou que a Secretaria está preparando um planejamento para realizar melhorias na entrada dos visitantes às unidades penitenciárias. Ainda não existe data definida, no entanto, para a mudança.

KELLY GARCIA
REPÓRTER

Diário do Nordeste – Cidade – 22.04.2013

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1258115
 

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Nas penitenciárias e casas de privação provisória de liberdade, a Defensoria constatou várias irregularidades

Quem tem familiar em penitenciária precisa passar por uma verdadeira saga, até conseguir encontrar o preso. Na entrada do complexo prisional, que abrange as Casas de Privação Provisórias de Liberdade II, III e IV, no Km 17 da BR 116, em Itaitinga, as filas se formam antes do amanhecer e muitas pessoas passam a noite ao relento. O matagal no entorno dos presídios é utilizado como banheiro e local para trocar de roupa. Além disso, se o visitante não quiser percorrer 1 Km a pé, entre a portaria e o presídio, tem que pagar pelo transporte motorizado.

Familiares reclamam de demora nas filas e dos excessos nos momentos de revista. Destacam que, ainda assim, as visitas podem ser suspensas Foto: Kiko Silva

E a saga não termina aí. No presídio, o constrangimento é potencializado. Em uma sala pequena e abafada, segundo os próprios visitantes, as mulheres são expostas a situações que elas consideram vexatórias. Com a ausência de um scanner de corpo, as visitantes precisam passar por uma revista rigorosa e feita manualmente. Segundo elas, é necessário tirar toda a roupa, agachar-se várias vezes, tossir e ter o aparelho de Raio X passado por todo o corpo para verificar a presença ou não de drogas e armas.

Isso vale para o Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, o Instituto Penal Paulo Sarasate, em Aquiraz ou para as Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) II, III e IV, em Itaitinga.

De acordo com a defensora pública Gina Kerly Pontes Moura, as primeiras pessoas da fila chegam antes do dia amanhecer: “A senhora grávida, com gestação de risco, da fila prioritária, tinha chegado às 2h do domingo e a senhora da fila comum, estava na portaria desde às 5h de sábado. E as visitas só começam às 9h30 do domingo. Isso ofende a dignidade das pessoas”.

Para a defensora pública, a revista é a situação mais vexatória. “As mulheres precisam tirar toda a roupa, algumas até idosas, e se tocarem diante de um espelho. No dia em que participamos da revista, nós não presenciamos crianças passando por esse tipo de procedimento, mas as mulheres disseram que elas precisam se despir”.

A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Justiça (Sejus) informou que a Secretaria está preparando um planejamento para realizar melhorias na entrada dos visitantes às unidades penitenciárias. Ainda não existe data definida, no entanto, para a mudança.

KELLY GARCIA
REPÓRTER

Diário do Nordeste – Cidade – 22.04.2013

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1258115

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