O Brasil, nos últimos anos, passou a desenvolver uma política externa de maior aproximação com os países latino-americanos, tentando reverter o distanciamento político e cultural que ainda nos separa de nossos vizinhos. Durante muito tempo, deixamos de fomentar em nossos jovens a ideia de que somos um país verdadeiramente latino-americano, tendo como exemplo claro a adoção do inglês como segunda língua em nosso sistema educacional.

 

O espanhol, idioma falado em todos os países vizinhos, ainda é praticamente desconhecido, embora a lei determine a obrigatoriedade de seu ensino.

Crescemos voltados para a América do Norte e Europa. Até mesmo quando falamos em “América”, pensamos em um certo país e não em todo um continente. Esquecemos que nossa realidade está entrelaçada com a de todas as sociedades latino-americanas. Ainda que a origem do colonizador seja espanhola ou portuguesa, de haver maior ou menor presença indígena ou negra na população, o fato é que os países latinos foram constituídos sob as mesmas bases da exploração colonial e da dependência econômica dos países ricos. Herdamos características e problemas comuns, como a acentuada desigualdade social e as democracias precárias sufocadas pela recente história de ditaduras militares.

Hoje observamos o início de um caminho diferente, onde estamos nos conscientizando que temos que procurar forças e articulações para encontrarmos juntos soluções para o desenvolvimento social e a proteção à dignidade humana de nossos povos.

Temos o desafio de ‘latinoamericanizar’ a consciência dos brasileiros, promover a integração de nossa rica diversidade cultural e superar as barreiras que nos isolam dos demais países do continente, para assim podermos, finalmente, ter em nossa população o sentimento de que, além de brasileiros, temos orgulho de sermos latino-americanos.
Fonte: O Povo, 25/10/2010
 

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