Aline MarinhoÉ muito gratificante trabalhar na Defensoria Pública porque nenhum dia é igual ao outro. Sempre somos surpreendidos por novas situações, novos desafios”. Com estas palavras, a Defensora Pública Aline Marinho Rodrigues Duarte define seu trabalho. Atualmente na 1ª Defensoria Criminal da Comarca de Juazeiro do Norte, ela atende, em média, seis pessoas por dia. “Diariamente, realizo atendimentos aos assistidos e aos seus familiares, revezando-me com as audiências que se realizam de segunda a sexta feira, bem como sessões de júri que ocorrem, em regra, às terças feiras”. Confira a entrevista:

Adpec – Há quanto tempo a senhora atua na Defensoria Pública?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – Estou atuando na Defensoria Pública há três anos e quatro meses, visto ter ingressado na carreira no mês de agosto de 2011. A primeira comarca onde trabalhei foi em Novas Russas, onde fiquei por cerca de dois meses. Depois, fui designada para trabalhar na comarca de Jaguaruana, onde atuei por cerca de um ano. Posteriormente trabalhei nas comarcas de Baturité, Paracuru e Pacatuba e atualmente me encontro trabalhando na 1ª Defensoria Criminal da Comarca de Juazeiro do Norte.

Adpec – Como é o seu dia a dia de trabalho na 1ª Defensoria Criminal da Comarca de Juazeiro do Norte?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – Diariamente, realizo atendimentos aos assistidos e aos seus familiares, revezando-me com as audiências que se realizam de segunda a sexta feira, bem como sessões de júri que ocorrem, em regra, às terças feiras.

Adpec – Quais as principais demandas do público alvo (casos mais frequentes no atendimento)?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – À primeira Defensoria Criminal de Juazeiro do Norte são distribuídos os processos referentes a crimes contra a vida e crimes por distribuição. As principais demandas, assim, são as relacionadas às acusações de homicídio, bem como a crimes contra o patrimônio, tais como roubo e furto. Há também inúmeros pedidos de liberdade e recursos.

Adpec – Quantos atendimentos são realizados, em média, no seu núcleo, por dia?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – Atendemos, em média, 06 (seis) pessoas para acompanhamento processual, solicitação de entrega de documentos para interposição de pedidos de liberdade, solicitação de entrega de rol testemunhal para oferecimento de defesas preliminares, etc.

Adpec – Alguma situação específica de um/a assistido/a lhe tocou ou chamou atenção?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – É muito gratificante trabalhar na Defensoria Pública porque nenhum dia é igual ao outro. Sempre somos surpreendidos por novas situações, novos desafios. Tenho inúmeras histórias de assistidos que me deixaram emocionadas ao me agradecer por tão somente ter feito meu trabalho, mas recentemente, em um dos júris em que atuei aqui na comarca de Juazeiro do Norte, onde os acusados eram pai e filho, denunciados por homicídio duplamente qualificado, após o término do júri, o qual resultou na absolvição do filho e na desclassificação para homicídio privilegiado do pai, todos os familiares e acusados presentes se emocionaram e me abraçaram após a leitura da sentença e ao cumprimentar os jurados, uma das juradas me abraçou e, com lágrimas nos olhos, disse que admirava muito meu trabalho, pois ela via que a dedicação ali empregada era feita com amor. Acredito que ela, a jurada, conseguiu visualizar o sentimento que tenho pela minha profissão, pois mesmo quando não consigo o resultado almejado, sei que dei o meu melhor e que, ao menos, tentei promover uma justiça digna aos nossos assistidos.

Adpec – Quais os maiores desafios na careira de Defensor Público, sobretudo no seu núcleo de atuação?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – Particularmente, o maior desafio atualmente é a atuação nas sessões do plenário do Júri, pois como sou uma pessoa um pouco tímida, tive muita dificuldade de me adaptar à rotina semanal de júris, visto os processos serem, em sua maioria, patrocinados pela Defensoria Pública, tendo que trabalhar, assim, em sessões de júri, em regra, às terças feiras.

Adpec – E as maiores conquistas/realizações para a senhora?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – Deus é Maravilhoso! Trabalhar com o que eu gosto, sendo remunerada para ajudar aqueles que precisam, cercada de excelentes colegas e ainda morando na mesma casa com o marido, visto após muitos anos trabalhando no interior passávamos a semana separados, faz com que eu me sinta realizada! Títulos e prêmios não importam quando se tem tudo isso.

Adpec – Como avalia o recente reconhecimento da autonomia plena da Instituição no Ceará? Haverá impactos na carreira e no atendimento ao público?

Aline Marinho Rodrigues Duarte – O reconhecimento da autonomia plena da nossa Instituição foi uma grande vitória, pois somente com uma Defensoria Pública forte, independente, autônoma, somos incentivados a trabalhar mais e melhor para os nossos assistidos. O reconhecimento legal e prático de que somos plenamente desvinculados de qualquer poder nos impulsiona a nos dedicar mais ainda para as nossas funções, pois será o nome da nossa Instituição quem será engrandecido. Certamente haverá impactos na carreira e no atendimento aos nossos assistidos, pois investindo-se no servidor, na estrutura, logicamente facilitará o nosso trabalho, dando uma melhor qualidade e quantidade no atendimento, o que satisfará o nosso público alvo, já tão sofrido e maltratado pelos demais órgãos da justiça.

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