Mini CursoA Escola Superior da Defensoria Pública (ESDP) realizou, nesta sexta-feira (06/05), o curso “A mediação como método adequado e revolucionário de solução de conflitos”, no auditório Jesus Xavier de Brito, sede da Defensoria Pública do Ceará, com a defensora pública do Rio de Janeiro, Larissa Davidovich. O evento faz parte das comemorações do mês do defensor público, realizado pela Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPGE) e pela Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará (Adpec).

A mesa de abertura foi formada pelo subdefensor geral do Estado do Ceará, Leonardo Antônio de Moura Júnior, que saudou os presentes, em nome da Defensoria. “É com grande prazer receber a defensora Larissa Davidovich em Fortaleza e, em especial, na nossa casa, e acolher todos vocês que se dispuseram a entender um pouco mais sobre mediação. Espero que os senhores e as senhoras aqui presentes possam tirar bastante proveito e realizar trocas de conhecimentos sobre este tema palpitante que acaba de ganhar ainda mais vigor com advento do novo Código do Processo Civil”. A defensora Sandra Moura de Sá, presidente da Adpec, e Roberta Quaranta, diretora da ESDP, também fizeram falas de boas vindas aos participantes e palestrante.

Larissa Davidovich ministrou o curso que apresentou uma visão geral sobre o conflito, as definições e técnicas de mediação, além de exemplos práticos com grande participação da plateia, formada por pessoas de várias aŕeas e formações, como defensores públicos, mediadores comunitários, professores, policiais militares, advogados, guardas municipais, sociólogos, dentre outros.

Iniciou sua palestra com uma fala do escritor Eduardo Galeano, segundo ela, uma reflexão importante sobre a atividade de mediação e as práticas defensoriais, pois estas trabalham diariamente modificando significativamente a vida do outro. “Muita gente pequena, em pequenos lugares, fazendo coisas pequenas podem transformar o mundo. Gosto de iniciar com esta frase do escritor Eduardo Galeano, porque é, para mim, ela sintetiza as pequenas revoluções no cotidiano que somos capazes de operar. É mais ou menos o que Gandhi já nos dizia que a gente pode ser a transformação que a gente quer no mundo”. Larissa fez longa reflexão sobre os atuais discursos de ódio que tem sido arraigados pela situação política e crise econômica do País, dando início aos conceitos da tarefa de mediar, que dizem respeito também as capacidades que devemos exercitar de tolerar e ouvir.

Em exercício divertido com os participantes, encontrou formas e palavras para definir conceitualmente Mediação, e encontrou até mesmo uma definição de modo regionalizado. Como contribuiu o mediador comunitário Sérgio Veras, do bairro Vicente Pizzon: “mediar é um jeito pai d’égua de transformar em chamego as arengas da negrada”. Graças ao estilo espontâneo, calcado no regionalismo, uma longa discussão, mediada então pela professora, formou-se na plateia e ela pôde, compassadamente, explicar os conceitos e claro, mediar as confusões geradas pela tão famosa expressão cearense “negrada ou negada” com debate entre participantes se entende ou não sentido pejorativo ou preconceituoso nela. A brincadeira, além de descontrair, deixou a turma engajada para entender os conceitos e importância da ouvir o outro. O curso se estendeu pela tarde e teve muito aproveitamento de todos os presentes, em atividade rica de conteúdo e interativa.

Este foi o primeiro módulo da Capacitação “Mediação Comunitária da Defensoria Pública do Estado do Ceará”, que seguirá com novos cursos entre os dias 23 e 31 de maio, e 01 de junho, totalizando oito módulos e a capacitação aprofundada para atuação na prática em dois bairros de Fortaleza, Vicente Pizzon e João XXIII.

Fonte: DPGE

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