walniceA trajetória da defensora pública aposentada Walnice Azevedo de Castro remete à superação. É provável que seus sonhos de adolescência não tenham se concretizado, mas ela soube se conciliar com a realidade e garantir para si outros sonhos, outras formas de ver a vida. Walnice é de uma época em que a mulher sonhava simplesmente com um casamento. Tanto é assim que foi criada para os afazeres do lar. Em sua casa, os pais investiam o que tinham na educação dos filhos homens, enquanto Walnice e a irmã seguiam seus estudos sem que se reconhecem realmente como protagonistas de suas próprias vidas.

E foi assim que ela chegou ao altar com tenros 17 anos de idade, encantada por um rapaz de olhos verdes que morava na rua detrás. “Para mim, o casamento era tudo. Foi o que me ensinaram”, diz. Mas como num roteiro absolutamente previsível, o dia a dia mostrou que nem tudo seriam flores. Enquanto o marido tentava ganhar a vida como vendedor, Walnice ficava em casa, cuidando dos pequenos – ela teve três filhos. Certa vez, ponderou. “Sem trabalhar, não vou poder dar a vida que gostaria aos meus filhos”.

Dali para voltar à sala de aula foi um pulo. Através de uma bolsa de estudos conseguida pelo irmão, Walnice dedicou-se a tentar passar no vestibular. Seis meses depois foi aprovada em Direito na Unifor (Universidade de Fortaleza) e Pedagogia na Uece (Universidade Estadual do Ceará), mas pelos poucos recursos, optou pela universidade pública, embora sua predileção fosse o Direito. Já formada pedagoga e com uma carreira consolidada na área, Walnice decidiu realizar seu sonho, e nem bem se formou em Direito já estava de escritório montado. A partir daí atuou como advogada por 13 anos, até decidir prestar concurso para defensora pública.

Como defensora, Walnice sempre trabalhou na vara de família e vara cível, tendo sempre defendido com afinco casos em que mulheres sofriam nas mãos de seus companheiros. O casamento com o primeiro marido acabou após “30 anos, três meses e 15 dias”. “Ele resolveu viver com uma pessoa mais jovem”, conta, sem mágoa. Cerca de um ano após a separação, Walnice conheceu Glauber, com quem leva uma vida feliz há 19 anos. “Encontrei o grande amor da minha vida”, diz. Ao lado do marido, dos filhos e netos, Walnice é uma mulher realizada porque não se omitiu sempre que precisou buscar um novo caminho para si, mesmo que para isso tivesse que se reinventar e tentar tudo outra vez.

Por Lucílio Lessa

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