As chamas do Pula Fogueira se apagaram neste fim de semana acendendo uma polêmica discussão: a utilização dos espaços públicos de Quixadá. O Ministério Público (MP) e a Defensoria Pública estabeleceram uma norma limitando horários e períodos para realização de festas na principal praça da cidade, a José de Barros, tradicional palco da festança junina. De agora em diante, eventos com mais de dois dias, só em outro local. Além do festival de quadrilhas, seguido de shows, a obrigatoriedade se estende também para o Carnaval. As duas festas seguem por quatro noites. Só o réveillon não será mudado dali.

A decisão chega às ruas da cidade dividindo opiniões. Uma parte dos moradores, principalmente a vizinhança da praça pública, é a favor da medida adotada pelos representantes da Promotoria e da Defensoria local. A potência dos equipamentos de som utilizados nos shows aumentou muito, tirando o sossego de quem mora inclusive a quarteirões de distância. Apesar do isolamento da área e disponibilização de banheiros móveis, atos de vandalismo ainda são registrados nas ruas próximas à praça. São a favor da transferência, de preferência para bem longe.

Mas outro considerável número de moradores prefere a permanência das festas populares no mesmo local. Muitos justificam ainda não haver estrutura de transporte público na cidade. Como a praça fica situada em um raio de 4 a 5Km dos bairros mais distantes, muitos ainda podem ir à pé. É bem iluminado, próximo do hospital, da rodoviária e está cercado de comércios. Justificativas e propostas à parte, agora a Prefeitura de Quixadá terá pouco mais de seis meses para escolher o novo local para o Carnaval. Alguns apontam como alternativa a utilização da á rea do parque ambiental Lago dos Monólitos. Todavia, além de ser uma área de preservação está cercada por um número muito maior de habitações, segundo cálculos da própria Prefeitura. Outra proposta é a construção do parque de eventos no entorno do Açude do Cedro, situado a mais de 5Km do Centro de Quixadá. Praticamente não existe gente morando no antigo perímetro de irrigação. Entretanto, para a construção do parque de eventos será necessário duplicar a via de acesso ao açude.

Outra opção

Outra opção seria a Praça José Linhares da Páscoa, conhecida como Praça da Catedral. A mudança não afetará o tráfego no Centro da cidade e não existem moradias no entorno daquela quadra. A proposta não é recebida com simpatia pela Igreja Católica. A mudança provocaria os mesmos problemas.

A chefe de Gabinete da Prefeitura, Sandra Venâncio, concorda. "É empurrar o problema com a barriga. Além disso , os carros estacionam ali todos os dias e não podemos destruir a nossa fonte. Tem valor histórico". Sobre a decisão, Sandra não definiu qual o posicionamento do prefeito Rômulo Carneiro. Ele deve se reunir com seu grupo gestor para discutir uma solução. Há possibilidade do Município criar seu parque de eventos. A outra opção será a briga na Justiça, alerta.

Alex Pimentel
Colaborador

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1010008

Compartilhe