O som dos "paredões" deve ficar longe de Quixadá no Carnaval. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pela Defensoria Pública no município prevê que a Prefeitura fiscalize a presença desses equipamentos durante os quatro dias de folia. Na área próxima ao Centro também está proibido o "mela-mela".

De acordo com Júlio César Lobo, defensor público em Quixadá, o TAC partiu de reclamações da população residente em área próxima à Praça José de Barros, onde ocorre a festa. Ele explica ainda que a Defensoria discute há dois anos soluções para os problemas no Carnaval. Segundo ele, a proposta é transferir a festa do apertado Centro para outro local.

"Como estamos muito perto da festa, optamos pela proibição de todo tipo de paredões com som acima dos limites legais", detalha Lobo. Se não realizar a fiscalização, completa ele, a Prefeitura está sujeita a multa de R$ 50 mil. Para os proprietários dos "paredões", o descumprimento da medida implicará apreensão ou reboque do veículo.

O defensor público explica que moradores e comerciantes reclamam do mau cheiro gerado pela brincadeira do "mela-mela" e do barulho dos "paredões". "A Prefeitura incentivava essas práticas porque cedia palco e banda. É preciso explicar dizendo o que não pode e o que está dentro da normalidade", avalia.

OUTRA VISÃO

O presidente da Fundação Cultural de Quixadá, Henrique Rabelo, interpreta de outra forma as determinações. "Não foram proibidos paredões de som, a proibição é volume acima do permitido", pondera. A fiscalização, continua ele, deve ser feita pelo Departamento Municipal de Trânsito de Quixadá com apoio da Polícia Militar e auxílio de aparelho medidor de decibéis.

Segundo Rabelo, a Prefeitura vai cumprir a medida. "O pessoal acaba se excedendo no Carnaval. Será um trabalho a mais para a gente, mas vamos seguir a decisão", garante. Apesar de não haver posição definida da Prefeitura, Rabelo diz que é possível "fazer um excelente carnaval" sem som de carro.

Para Júlio César Lobo a proibição dos paredões deve contribuir para uma festa mais segura. "A miscigenação da festa, com consumo em excesso de álcool, já não comporta em áreas residenciais e comerciais do Centro", prega. (Colaborou Audílio Moura)

Fonte: Jornal O Povo (03/03/2011)
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