Os internos abriram um buraco na parede de uma das celas e usariam uma ´teresa´ (corda artesanal) para escalar a muralha e escapar.

Os internos abriram um buraco na parede de uma das celas e usariam uma ´teresa´ (corda artesanal) para escalar a muralha e escapar.

O clima ficou tenso no local e foi necessária a presença de policiais do Comando Tático Motorizado (Cotam) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) para conter os ânimos e garantir a segurança, sobretudo porque ontem era dia de visitas aos presos e era grande a movimentação de mulheres. Houve gritarias e protestos de internos e das visitantes. A PM chegou a cercar o local para a entrada das equipes de reportagem que estiveram na unidade prisional.
A tentativa de fuga na CPPL de Itaitinga foi descoberta por volta das 15 horas, quando um PM que estava em serviço na muralha da unidade prisional avistou um detento no pátio interno, que já se preparava para jogar uma ´teresa´ por sobre a muralha. O policial apontou sua arma para o preso e gritou para que ficasse parado. O presidiário correu e penetrou no buraco que tinha sido feito na parede de sua cela.
Descoberta
De imediato, as visitas foram suspensas e policiais do Batalhão de Choque da PM foram chamados para a unidade prisional. Numa vistoria dos PMs, junto com agentes penitenciários, foi descoberto um buraco na cela 3 da Rua ´F´ do Pavilhão 2 do presídio.
Sete presos estavam na cela onde o buraco, de 50 cerca de centímetros de diâmetro, foi achado. A abertura dava acesso ao pátio, junto à muralha, que possui 13 metros de altura.
Uma ´teresa´ de 12 metros de comprimento também foi encontrada na cela, além de cinco cossocos (facas artesanais fabricadas dentro do presídio com pedaços de ferro das grades). A corda artesanal seria usada pelos sete detentos da cela 3 para escalar a muralha e escapar do presídio. Outros internos poderiam seguí-los, já que as demais celas do pavilhão estavam todas abertas ontem, por ser um dia de visita.
A cela 3 foi isolada e os presos dali transferidos para outro aposento do presídio. Os nomes dos sete internos da cela não foram divulgados pela direção da unidade prisional, o que somente deve acontecer hoje. Os demais detentos também foram recolhidos às suas respectivas celas.
Presente à CPPL de Itaitinga, o comandante da 2ª Companhia de Policiamento de Guarda (CPG), tenente-coronel Sávio Menezes, coordenou todo o trabalho, que durou mais de três horas. PMs permaneceram no local até a noite.
O comandante enalteceu a ação do PM que avistou o interno junto à muralha e criticou o número reduzido de agentes penitenciários em serviço devido à greve da categoria. Por seu lado, agentes em greve disseram que todos os 14 profissionais escalados para trabalhar ontem estavam de serviço e mantinham as atividades essenciais, dentre elas a segurança interna. Inaugurada no governo passado, a CPPL de Itaitinga, também chamada de Casa de Custódia de Itaitinga também acabou se transformando num depósito de presos.
Com capacidade para 900 detentos, hoje já conta com mais de 1.200 internos, configurando-se a superlotação, a exemplo do que acontece em cadeias públicas, presídios e penitenciárias do Ceará, onde há gente demais para ser mantida atrás das grades e o número de vagas é muito aquém das necessidades.
Além disso, as condições estruturais das casas de custódia vêm sendo questionadas freqüentemente por defensores públicos, a exemplo do que aconteceu há duas semanas, na Casa de Custódia de Caucaia, onde foram constatadas diversas irregularidades durante uma visita de advogados.

Calmaria

Em que pese a tentativa de fuga na CPPL de Itaitinga e a manutenção da greve dos agentes penitenciários, embora considerada ilegal pela Justiça, o dia de visitas nas unidades prisionais foi considerado tranqüilo.
No Instituto Penal Paulo Sasarate (IPPS) e no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO II), em Itaitinga, a movimentação foi normal. Policiais civis e militares auxiliaram na vistoria das visitantes e dos alimentos e objetos levados para os internos.
Os agentes prometem dar continuidade ao movimento paredista e aguardam a abertura de um canal de negociação com o governo do Estado. A categoria, composta por 758 profissionais, quer o cumprimento da Lei Estadual nº 13192, que aponta o cargo como de nível médio, o que eleva o salário dos atuais R$ 1.051,00 para algo em torno de R$ 1.750,00. O governo não negocia com os grevistas e aponta que 80% da categoria está em estágio probatório e ainda não tem direito à estabilidade no emprego.

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