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“Não julgueis como eu fui julgado, mas como vos ei de julgar um dia”. A frase atribuída a Jesus Cristo pelo defensor público aposentado Francisco Clayton Pessoa de Queiroz Marinho dá o tom do respeito com que ele encara a profissão. Ao falar de suas razões para ter optado pelo Direito no momento da inscrição do vestibular, em detrimento de sua primeira opção, a Medicina, ele projeta luz sobre uma história pessoal que o comove e que teve início quando Clayton não passava de um menino na cola do pai, seu ídolo, um oficial de justiça que sempre o levava para o Tribunal do Júri. “Para mim era um espetáculo o que acontecia ali. Era como um teatro. Eu ficava maravilhado”, diz ele.

O enredo, carregado de simbolismo, se revela ainda mais inspirador quando se atenta para o fato de Clayton ter dedicado a maior parte de sua trajetória profissional a defender cidadãos carentes nos tribunais do júri. Na contabilidade de um passado que se faz distante pelos anos, mas próximo na memória, foram inúmeras as vezes que, através de seu empenho, conseguiu absolver quem merecia uma segunda chance. “Era comum um mesmo defensor responder por 5, 6 varas. A carência era enorme, muito mais do que hoje”, diz ele, que ainda advoga gratuitamente para necessitados em seu escritório.

Como defensor, o Dr. Clayton atuou na 4ª Vara Criminal e Vara das Precatórias, bem como na 1ª, na 2ª, na 4ª e na 11ª Varas do Júri. Também foi Diretor do Departamento de Sistema Penal, Chefe de Gabinete da Secretaria de Justiça do Estado do Ceará e posteriormente Secretário de Justiça. Ressalte-se o mérito de ter sido escolhido recentemente Advogado Padrão pela OAB, bem como de ter sido premiado com o Troféu Clóvis Beviláqua. Por sua atuação, também recebeu a Comenda Clodoaldo Pinto e é membro da Academia Cearense de Retórica e Academia Cearense de Letras Jurídicas. Também foi homenageado pela classe jurídica por ocasião do 2º Congresso de Direito Penal e Processual Penal, que recebeu seu nome.

Mais recentemente, o defensor Francisco Clayton foi apontado em publicação voltada para a categoria como um dos Advogados Mais Admirados do Ceará em 2012 e 2013. Seu currículo pomposo só fica em segundo plano quando o que se observa é a paixão com que ele fala do seu ofício. “Ainda trago a atividade de defensor público comigo. Se me fosse dado o direito de escolher a minha morte, gostaria que estivesse escrito no meu atestado de óbito: morreu de advogar”, diz.

Em sua sala, repleta de documentos, livros e certificados de honra ao mérito, destoa pela singeleza um quadro com a imagem das pegadas de um de seus três filhos, o Thiago, então com 2 anos. Além dele, que hoje tem 8 anos, há o Samuel, 5, e o Felipe, 2. Todos filhos do terceiro casamento do Dr. Clayton, um homem que aos 70 anos de idade continua a se renovar em sua profissão e não dá o menor sinal de cansaço, talvez porque assim como fez lá no início, ao desistir de Medicina e tentar Direito no último minuto, não tem medo de seguir o coração.

Por Lucílio Lessa

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