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A psicologia aponta que os obstáculos que mais dificultam a compreensão de quem somos são a autocomplacência, a autopiedade e a autosseveridade. Nem de longe a defensora pública aposentada Alice de Medeiros Victor indica possuir alguma dessas três características. Tampouco se esquiva do direito de demonstrar sua doçura cativante, o que acaba sendo um convite irrecusável para um bom papo com essa figura cheia de histórias para contar.

A verdade é que a Dra. Alice traduz no seu jeito e na empatia que causa de imediato, a essência comum às mães. Bastam alguns minutos de conversa para identificar o seu zelo pela família, pelos amigos e pelo que é justo e direito. Mas essas, de fato, não são suas únicas características. Some-se a elas, por exemplo, a força de vontade.

Filha de um comerciante do município de Quixeramobim e de uma dona de casa, Alice passou a infância em General Sampaio, após os pais mudarem-se para lá quando ela ainda era criança. No total, eram 12 filhos. Todos acompanhados de perto pelos pais. “Nosso pai nunca nos bateu. Bastava ele olhar. Esse respeito nós levamos para a vida”, diz Alice.

A paixão pelos estudos obrigou-a ainda adolescente a mudar-se para a capital, onde morou na casa de um “compadre de confiança da família”. “Lá tinha muita gente, então era divertido. Até hoje nos tratamos como irmãos”, conta. A mudança para uma escola com um nível mais avançado assustou-a, mas ela deu conta e acabou ingressando na Escola Normal. Foi quando ao final decidiu prestar vestibular para o curso de Direito.

Ainda na faculdade, Alice tornou-se bancária e paralelamente iniciou um estágio no escritório de um famoso advogado, o Dr. Aníbal Craveiro. “Ainda hoje ofereço Missa para ele. Era como um pai. Tive muitos exemplos de sinceridade, honestidade, e de uma advocacia sem mentira. Isso ficou enraizado em mim”, ressalta.

Ao terminar a faculdade, Alice casou com um primo, o José Augusto, com quem sempre esbarrava na casa de sua avó. Com o casamento, passou a ajudar o marido no comércio e, paralelamente, continuou suas atividades no escritório de advocacia. Até que resolveu prestar concurso para o então cargo de Advogado de Ofício, hoje Defensor Público.

De lá para cá atuou na comarca de Aquiraz, em seguida na 5ª vara da Família de Fortaleza, e depois na 8ª Vara Criminal da capital cearense. Perguntada sobre o que mais lhe marcou durante todos esses anos, ela se emociona ao falar das muitas pessoas a quem pôde ajudar, muitas vezes somando à função de defensora, características de conselheira. “Ainda hoje tem uma senhora do Aquiraz que não me chama de Dona Alice, mas de mamãe. Eu acho tão engraçado! Consegui fazer o divórcio dela. O então marido tinha o apelido de ‘Pancada’. Você imagine, então”, conta.

Viúva há 4 anos, Dra. Alice ainda usa na mão esquerda a aliança de casamento. Seus dias são preenchidos pelos passeios com as amigas e pelo carinho dos dois filhos e cinco netos. Vaidosa, ela chegou para a entrevista do Minha História. Nossa Luta muito elegante, após a Missa que vai diariamente. E arriscou uma frase que diz sempre às amigas quando as vê deprimidas. “Quebrem o retrovisor. Nessa vida vocês têm que ter coragem”.

Por Lucílio Lessa

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