draritaDra. Rita Maria Gonçalves Sobreira abre a porta de casa com um cativante sorriso no rosto, deixando atrás de si um reflexo de cabelo de cobre e um aroma discreto no ar. Ao sentar em sua ampla sala, com vista para um céu sem nuvens, ela ergue o rosto e dá início a um suceder de histórias tão autênticas quanto ela. A verdade é que Rita ainda tem muito da menina que costumava andar de bicicleta em Ibiapina, onde o pai, um político da região, levava a família em época de férias. Rita sabe quem é e de onde vem. Rita tem a consciência do seu valor.

E não tem medo de se mostrar por dentro. Tanto é assim que faz questão de ressaltar pessoas importantes em sua vida, sem melindres, como o ex-marido e defensor público aposentado Luciano Sobreira, o ex-sogro e ex-advogado de ofício Moacir Sobreira – a quem credita os primeiros ensinamentos para o bom desempenho de sua atuação como advogada de ofício, depois defensora pública -, e os queridos filhos, que a fazem ficar radiante sempre que ela os menciona.

Ao ser indagada sobre as histórias do passado, Rita fecha os olhos, se emociona, e acho que quase chega a sentir o cheiro da época. Filha de uma senhora bastante religiosa, ela conta que estudou no Colégio Doroteias e no Imaculada Conceição. A religiosidade é evidente pelos detalhes de seu vestuário, seja pelo anel de crucifixo na mão direita, ou pelo cordão com a imagem da Imaculada Conceição e do pássaro que representa o Espírito Santo.

A paixão pelo Direito surgiu quando já estava casada. Sob a influência do então marido, Luciano, que conheceu quando tinha 14 anos, ela enveredou pela área, concluindo o curso na Universidade Federal do Ceará (UFC). “O Luciano sempre foi meu grande incentivador”, diz. Antes mesmo de se formar, já trabalhava no Tribunal de Contas. Ao ser aprovada no concurso público de advogada de ofício, deu início às suas atividades na cidade de Pacatuba, partindo em seguida para o Fórum Clóvis Beviláqua, onde ficou até se aposentar, trilhando um bem sucedido caminho na vara de família.

Da época, recorda especialmente de um caso em que ela foi determinante para a reaproximação de um casal que iria se separar. “Vi que o problema ali era ciúmes. Falei: ‘não façam isso. Tentem novamente por uns 2 meses’. Sempre fui questionadora. Então eles se deram uma chance e depois até me agradeceram”, conta Rita, que segue com o firme propósito de se dedicar à família e ao lado bom da vida. Sempre senhora de sua história.

Por Lucílio Lessa

Deixe uma resposta