Bartolomeu“É da Adpec? Pode entrar!”. Com esta frase e um sorriso no rosto, o defensor público aposentado Bartolomeu Silva Figueiredo, 65 anos – completados em 18 de março último -, recebeu a Assessoria de Imprensa da Associação para uma conversa. Em meio a uma arrumação no seu escritório e uma agenda apertada, com compromissos em Fortaleza e Brasília, ele contou sua trajetória de dedicação e amor pela advocacia para os mais necessitados.

Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 1981, dr. Bartolomeu vem de uma família dedicada ao magistério. Estava, acreditava ele, sendo preparado para ser professor, como era a tradição do clã. Cursava Letras, já estava na metade do curso. No entanto, casado e com filhos, fez vários concursos públicos e foi aprovado para o cargo de escrivão da Polícia Federal.

“A necessidade de prover minha família falou mais alto. Então, deixei o curso de Letras e segui para trabalhar em Natal, no Rio Grande do Norte, para onde fui designado pela Polícia Federal, após passar por um curso interno de formação em Brasília”, comenta. Dr. Bartolomeu é pai de Helen Karla, Ismael, Daniel e Cássia (frutos da união com Vanda Lúcia de Oliveira Figueiredo) e casado, atualmente, com Maria Augusta de Oliveira Figueiredo.

A fim de seguir carreira na PF, dr. Bartolomeu sentiu a necessidade de fazer o curso de Direito, para tentar ser, posteriormente, delegado. “Quando eu cheguei na Faculdade, que o primeiro professor começou a dar aula, foi que eu descobri qual era a minha verdadeira vocação: era ser advogado, estudar Direito e procurar aplicá-lo”, lembra, acrescentando que o corpo docente na UFRN era composto por advogados militantes.

Para exercer a paixão pela advocacia, dr. Bartolomeu pediu demissão da PF, veio para Fortaleza e começou a advogar, nas áreas Trabalhista, Tributária, Cível. Na mudança do escritório, de Natal para Capital cearense, ele conta que encontrou uma pasta com documentos de várias serviços gratuitos que havia feito para pessoas necessitadas. “Era trabalho de advogado de ofício que eu fazia, ou seja, prestava assistência aos mais necessitados em meu escritório”, resume.

Foi, então, que resolveu prestar concurso para a Defensoria Pública, ingressando nos quadros da Instituição em 1988. Assumiu em Jaguaribe, no Ceará. “Tive o privilégio de instalar a Defensoria no chamado Médio Jaguaribe. Fui o primeiro defensor designado para lá”. Respondia por mais de uma comarca (Quixadá e Limoeiro do Norte ). ”Ia para o interior, ficava dois dias numa cidade, dois dias em outra”, recorda.

O trabalho árduo – “às vezes, até 10 horas da noite, enquanto havia gente para atender” – traz boas recordações para o dr. Bartolomeu. “Sempre fiquei feliz por estar ajudando com o que eu podia àquelas pessoas necessitadas”. Sobre os entraves para exercer o trabalho, ele responde direto: “Eram todos! Não tinha casa pra morar, combustível para o carro, não tinha ajuda para transporte e o salário era bem pequenininho, igual ao de professor”.

Para vencer estas dificuldades, dr. Bartolomeu sempre teve o apoio da família. “Todos achavam que, nas minhas escolhas, eu sempre estava fazendo o que era certo”. Aposentado desde 2010, hoje ele dedica seu expediente à advocacia empresarial. Nas horas de lazer, não dispensa uma pescaria. “Chegar em um bom lugar para pescar, para mim, é uma felicidade muito grande”.

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